 Reprodução total ou parcial autorizada Acompanhe outras informações durante o dia ivan@exxtra.com.br Gosto pela política (1) O ex-senador Casildo Maldaner é a maior tradução do homem público que gosta do que faz. É um político nato e a sua espontaneiade no convívio político, é a marca registrada que o permite circular com desenvoltura em qualquer classe social. Talvez por isso o governador Luiz Henrique (PMDB) insistentemente repete a frase que define o amigo: “O Casildo se não existisse seria preciso fabricar um”. Após sete anos sem exercer cargo eletivo, Casildo continua com uma popularidade em alta, impressionante. Por isso não passa um final semana sem cumprir extensa agenda de viagens, de convites que vão de batizado de criança a palestrante de universidade. Suplente do senador Raimundo Colombo (DEM), o presidente de honra do PMDB catarinense, também é lembrado por Luiz Henrique, como um político “agregador”. Durante os nove anos que presidiu o partido, no estado, fez do PMDB o maior partido de Santa Catarina, que perdia em número de filiados para o então PDS. Em 1988, com a derrota de Paulo Afonso, que tentava a reeleição para o Governo do Estado, a imprensa e os adversários sentenciavam que o PMDB estava “acabado”. Descontando o exagero do termo, de certa forma o partido ficou, literalmente, dividido, desmotivado, necessitando de um líder que conseguisse reunir a militância e discutir o futuro dos peemedebistas. No início de 1989, no dia 10 de março, Casildo iniciou a maior movimentação política do estado, em ano não-eleitoral, batizado de “Jornada da Unidade”. Ao lado do então prefeito de Joinville, Luiz Henrique e as principais lideranças do estado, a primeira etapa do evento, com data marcada com três meses de antecedência, foram realizadas reuniões sucessivas, em todas as coordenadorias do partido, durante dez finais de semanas. consecutivos. O objetivo de “juntar os cacos”, como dizia Casildo, foi alcançado. E o governador cunhou uma nova frase: “O Casildo é a agulha pontiaguda e a linha forte que costura a unidade do PMDB”. Gosto pela política (2) O resultado deste esforço ficou claro no decorrer dos meses seguintes. Cumprindo os compromissos de senador, Casildo retornava de Brasília, às quintas-feiras, diretamente para uma das regiões do estado, para cumprir agendas políticas até o domingo. Na segunda-feira, antes de retornar a Brasília, despachava na sede do diretório, procurando dar a atenção máxima possível aos diretórios municipais, que eram formados nos 293 municípios do estado. Para aproximar ainda mais as lideranças locais com os líderes estaduais, principalmente detentores de mandato eletivo, Casildo organizou a “Jornada da Unidade 2”. O projeto foi o mais longo trabalho empreendido por um político em ano não eleitoral. Casildo, acompanhado dos parlamentares de cada região, visitou todos os 293 municípios do estado, reunindo-se com os diretórios locais. Desta maratona de reuniões, foi estabelecido que os diretórios municipais realizem “jornadas locais”. Ou seja, os peemedebistas ficavam com a incumbência de realizar reuniões nos distritos e bairros de cada cidade. O resultado desse trabalho se materializou nas urnas. O PMDB, sem a máquina do Governo, elegeu 114 prefeitos nas eleições de 2000, entre eles, Joinville. Com esse patrimônio eleitoral conquistado, Luiz Henrique reeleito prefeito da maior cidade catarinense, se manifestou para disputar o Governo do Estado, em 2002. e, para consolidar o seu nome na base do partido, convocou Casildo Maldaner para “palmilhar” o estado, em centenas de reuniões realizadas, também em todos os municípios do estado, durante dois anos. O projeto foi batizado como “A Força do 15”. O resultado deste trabalho já passou para a história. Enfrentou nas urnas o maior adversário do PMDB, então governador Esperidião Amin (PP), franco favorito para conquistar a reeleição, que parecia liquida e certa. Diante daquele quadro, que o parecia desfavorável, Luiz Henrique cunhou a frase insistentemente repetida nas reuniões partidárias: “Quanto maior o pinheiro, maior é o tombo”. Também, como já é parte da história, todos sabem que Amin caiu uma vez (2002) e, para confirmar o tombo, foi ao chão novamente em 2006. Luiz Henrique, como o seu guru de jornadas, Casildo Maldaner, tem gosto pela política, gosto pelo que faz. E é ao lado do amigo de tantas batalhas eleitorais, que o governador já circula pelo estado como candidato ao Senado. Arquivos
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