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Blog Ivan Exxtra - Bastidores da política em SC
08/02/2010 - 04:12:05

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Os pecados de Dário (1)
O prefeito de Florianópolis, Dário Berger (PMDB) cometeu alguns pecados mortais como aspirante candidato ao Governo do Estado, pela tríplice aliança (PMDB, PSDB e DEM). Como diz o adágio gaúcho, cavalo encilhado não passa duas vezes. Pode parece clichê, mas não foi. Dário tropeçou no momento em que deveria agarrá-lo. E foi no momento em que, literalmente, abateu nas urnas o político que simboliza, há décadas, o adversário/inimigo político do PMDB. Ao vencer o ex-governador Esperidião Amin (PP) para prefeito da Capital, Dário ganhou o passaporte para a viagem eleitoral dos seus sonhos, que é conquistar o Centro Administrativo. Apesar de cristão novo, no partido, se tornou um ídolo no PMDB, por ter proporcionado uma alegria imensurável para os peemedebistas. Tanto é verdade, que o próprio governador Luiz Henrique (PMDB) grudou no prefeito, reeleito, parecendo um papagaio-de-pirata. Para retribuir a este momento histórico ocorrido em pleno curral da família Amin, Luiz Henrique não esitou em demonstrar paixão pela candidatura de Dário, embora o partido já tivesse definido, naturalmente, o ex-governador Eduardo Moreira para a missão. Porém, em meio ao longo período de comemoração, proporcional ao feito eleitoral, Dário começou a cometer alguns pecados infantis, possivelmente por falta de assessoramento político, com visão estratégica para consolidar aquela paixão repentina emergida dos peemedebistas, fazendo com que o sentimento se tornasse um caso de amor verdadeiro. Ao contrário, arregalou os olhos para todos os cantos e, além flertar com a companhia errada, trouxe para o seu lado justamente quem poderia, de imediato, ser rival dos peemedebistas. O caso, como não podia deixar de ser, configurou-se como traição.

Os pecados de Dário (2)
A paixão momentânea que os peemedebistas atribuíram a Dário Berger começou a se esvair rapidamente, quando se cercou de pessoas de sua confiança que não tinha nada a ver com o PMDB. Quando se imagina que o prefeito iria dar uma “cara” peemedebista ao seu Gabinete de Governo, com pessoas que tem tatuado na testa o 15 do partido, como o deputado Edison Andrino, o ex-vereador Otto Entres Filho, o administrador César Barros, entre outros, sentou-se ao lado de Mário Cavallazzi, uma pessoa que simboliza para os peemedebistas a marca do “pedeesse”. Esta “traição” foi demais para merecer perdão, mesmo de quem acreditava que a paixão era forte demais para ser esquecida. Pois não demorou muito e Dário, além de não conseguir manter a simpatia dos peemedebistas, foi perdendo terreno e se intimidando perante Eduardo Moreira, que preside o partido. Mesmo com intenção de votos quatro vezes maior do que Moreira, Dário não se sentia a vontade para dizer que era a bola da vez no partido. O prefeito se limitava a dizer que era um “reserva de luxo”, no PMDB, e que o seu candidato era Moreira. Com essa frouxidão de conduta política/partidária, perdeu fôlego no eleitorado pesquisado, pois não tinha como avisá-lo que as suas declarações eram de brincadeirinha. O pior disso tudo,  principalmente para o PMDB, é que os demais postulantes da tríplice aliança tomaram a dianteira na intenção de votos. Nas últimas pesquisas, tanto o vice-governador Leonel Pavan (PSDB), como o senador Raimundo Colombo, aparecem com pelo menos três vezes mais votos, cada um, em relação a Eduardo Moreira, além de Dário ter amargado números ainda piores.

Os pecados de Dário (3)
A menos de dois meses da data fatal para renunciar a prefeitura, caso queira disputar a eleição deste ano, Dário Berger começou uma busca alucinada do paradeiro do cavalo que já veio encilhado ao seu encontro. Agora diz, com todas as letras, que é candidato a candidato ao Governo do Estado, pela tríplice aliança ou em disputa solo pelo PMDB. Para isso, montou um forte esquema político, atacando, principalmente, dois flancos importantes, eleitoralmente. Em busca de apoio dos colegas de mandato, escalou o prefeito peemedebista de Palhoça, Ronério Heiderscheidt, para atuar junto aos prefeitos do PMDB, PSDB e DEM, para fortalecer o seu nome e causar repercussão no eleitorado em seu favor. Outro flanco a ser atacado pelo esquema de Dário, é a vereança no estado. Para esta empreitada conta com a devoção do presidente do diretório do PMDB de Florianópolis, vereador Celso Sandrini. Ele já anunciou que está sendo preparado, para as próximas semanas, o lançamento da candidatura de Dário, numa grande concentração suprapartidária em Florianópolis. Os estrategistas de Dário apostam que terão sucesso nesta missão, por acreditar que, além do PMDB da Grande Florianópolis, tanto o PSDB e DEM, não faltarão com o apoio, sem falar do prefeito/irmão, de São José (quarto maior eleitorado do estado), Djalma Berger, do PSB. Jogam contanto com o princípio da boa vizinhança. É que o PSDB, praticamente fora da composição majoritária da tríplice aliança – por motivos óbvios, após a Operação Transparência da Polícia Federal –, poderia “adotar” Dário para a função. Quanto ao DEM, mesmo que Raimundo Colombo seja o cabeça de chapa da aliança, dependerá de um líder forte no entorno de Florianópolis, onde gravitam mais de um milhão de votos. E, neste caso, na pior das hipóteses, Dário sairia de vice do democrata, posição já admitida nos bastidores político, inclusive pelo governador Luiz Henrique.

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